Agronegócio brasileiro aposta na bioeconomia

A pressão da sociedade civil por um agronegócio mais sustentável — somada ao próprio esgotamento dos recursos naturais não-renováveis — tem feito produtores rurais e empresários do ramo adotarem a bioeconomia gradativamente em suas agendas de negócios.

Rastreabilidade, certificação, venda de alimentos por e-commerce, sanidade e sustentabilidade são algumas das bandeiras desta “nova” espécie de agronegócio, que tem ganhado força nos últimos tempos. Assim, a ideia da bioeconomia traz um novo modelo de desenvolvimento, ao integrar setores que tanto utilizam como produzem recursos biológicos — diferentemente da grande maioria dos produtores atuais, baseados na utilização de combustíveis fósseis e na degradação do meio ambiente.

De acordo com a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), o setor possui potencial de atrair 400 milhões de dólares para o Brasil nos próximos 20 anos — a entidade também prevê a criação de 200 mil novos empregos nessa área. A título de comparação, no mundo todo, hoje — conforme dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) — são movimentados cerca de dois trilhões de euros, e gerados cerca de 22 milhões de empregos.

Ainda em termos de Brasil, um setor que tem sido pioneiro na implementação da bioeconomia é o de floresta plantada.  De acordo com a Indústria Brasileira da Árvore (Ibá), ele possui, atualmente, a madeira (matéria-prima) utilizada para a produção de produtos renováveis, recicláveis e biodegradáveis.

Existem, ainda, diversas pesquisas e produtos sendo desenvolvidos — como, por exemplo, resinas, óleos, bio-óleos, nanofibra, nanocelulose e nanocristais — capazes de serem utilizados em indústrias como a de alimentos, a automobilística, a de cosméticos, a de medicamentos e, até, a de produtos têxteis.

Em relação especificamente ao setor do agronegócio, o que se vislumbra, hoje, é a produção do etanol, que foi um dos carros chefe do crescimento brasileiro por alguns períodos na última década. Ademais, ainda há cerca de três mil produtos em desenvolvimento em laboratórios focados na bioeconomia.

O certo é que, somado à soja e à proteína animal — que são os principais produtos de negócios do setor agrícola brasileiro — a bioeconomia vem com força e promete estabelecer-se nos próximos anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *